O Império
Durante a Antiga Era não havia o Império. Theod Morgan foi executado tão logo os navios humanos atracaram no litoral de Arkalon, culpado por sacrificar seus semelhantes e por afundar o continente de seus antepassados na escuridão e no caos. Lordes de grande poder foram então eleitos e ficaram responsáveis pelo governo do que em breve se tornaria o reino humano de Ihriun. Com o tempo, os homens dividiram-se em cidades e províncias, cada qual regida por um lorde ou entidade política superior e isso permaneceu assim por mais de um milênio. O surgimento do Império deu-se próximo ao final da Terceira Era, em 1.340, quando o então regente de Aloderan, Emeric Marden, unificou as províncias de Ihriun. A função do Império, logo em sua criação, era simples: governar e organizar os homens na construção e reestruturação de sua civilização, uma vez que uma recém-vencida guerra contra os orcs devastou diversas cidades fronteiriças com Oreand. Outro foco era a formação de uma força militar independente, instituída pela união de várias províncias afim de estabelecer defesas fortes contra seus vizinhos hostis e ameaças futuras.
O primeiro imperador a sentar-se no trono foi o próprio Emeric Marden, o qual deu origem à linhagem de imperadores Marden, que manteve o poder pelos próximos 122 anos. Foram anos conturbados, com traições e conflitos políticos intensos até que tudo se estabilizasse como era devido. A linhagem real foi finalmente mudada em 123, quando uma guerra civil instalou-se em Ihriun e seu atual rei, Ivo Ehdrio Marden, o rei-mendigo, caiu diante dos rebeldes após quase 4 anos de conflito. Foi então que Gloryn Brendel, o líder rebelde, sentou-se no trono. Como era esperado de um rebelde com bom senso de liderança e sem conhecimento político, Brendel criou uma nova forma de governo, na qual os imperadores seriam eleitos através do voto de uma assembleia com representantes de todas as classes sociais presentes no reino. A ideologia por trás deste costume foi nobre e apesar de ter sido aprovada pelo povo, tornou-se totalmente teórica após algumas décadas. A assembleia tornou-se depois o Alto Conselho de Verelin, que passou a ser nada mais que um antro de corrupção, como era esperado pelos mais astutos pensadores da época. Apesar da nova forma de eleição continuar viva, a política imperial tornou-se tão manchada quando a lâmina de um assassino. Ainda assim, por conveniência e costume, o Conselho manteve-se de pé até os dias atuais como um símbolo de liberdade e da força popular.

Gloryn Brendel foi assassinado após quatorze anos de reinado. O Alto Conselho escolheu seu filho, Kain, para sucedê-lo. Kain Brendel casou-se com Kalena Doran, uma meio-elfa que muitos rumorejam até os dias de hoje ter sido uma bruxa de imenso poder. A história diz que Kalena apaixonou-se por um jovem capitão da guarda-real depois de ter seu primeiro filho, Eliah. De uma noite de traição nasceu Alron, a "criança com os olhos vivos". Kain não soube disso por muitos anos de forma que criou ambos como se fossem seus filhos. Quando Eliah completou dezesseis anos, Kain soube da traição de Kalena. A forma como isso aconteceu permaneceu sendo um mistério na história. Kain amava sua esposa e também a Alron, mas não podia conviver com eles conhecendo aqueles fatos. O capitão da guarda-real foi decapitado naquele mesmo dia. Kalena e seu filho foram exilados de Verelin sob o manto da noite, sem que ninguém tomasse conhecimento. O imperador os deu como mortos diante de todo o continente.
Eliah assumiu o trono em 149, aos vinte e sete anos, quando uma doença impossibilitou o imperador de continuar governando. O Alto Conselho não interferiu, pois o imperador ainda estava vivo e eles acreditavam que a substituição no trono seria provisória. Eliah foi um regente honrado e justo, mas não governou por muito tempo, sendo assassinado apenas quatro anos após ter sido coroado, dois meses após a morte de Kain. Para substituí-lo, o Alto Conselho elegeu Arthur Carser, um nobre de grande conceito e influência dentro da assembleia popular.
Carser governou por extensos vinte e oito anos e foi então substituído por Vincent Cirx em 181. O império manteve-se nas mãos de Cirx até 198, quando Vincent tombou a cabeça sobre sua mesa de jantar vítima de envenenamento. Muitos dizem que foram seus próprios servos que o envenenaram devido à sua forma autoritária e desumana de agir. Foi então que Cláudius Nehri subiu ao trono imperial para ser uma das figuras de maior prestígio da história de Verelin. Cláudius tinha carisma e, mais importante, tinha dom para a política. Sabia conduzir os interesses do povo juntamente com os da nobreza e, segundo contam, a própria Ordem Arcana era pega em seus jogos de poder. Foram longos trinta e cinco anos de regência até que uma doença acabasse com sua carreira como político. Devido à sua lendária campanha governamental, seu filho, que levava sobre si a responsabilidade de ter o mesmo nome que o pai, foi eleito pelo Alto Conselho como sucessor do trono. Cláudius Nehri II está há dezoito anos sentando-se no trono e, apesar de não alegrar seus aliados tão bem quanto o pai, ainda está em aprovação geral, principalmente por conta da campanha de guerra que está erguendo para combater um levantamento rebelde que cresce cada dia mais forte no norte.