Conflitos de Arkalon
A Era dos Magos é relativamente recente, assim como o Império, se comparados aos milhares e milhares de anos pelos quais Faingard já passou. Isso acarreta numa política ainda em construção e conflitos intermináveis num poder ainda não totalmente definido.
A Guerra Civil
Há cerca de quatro anos, um grupo inominado de supostos bárbaros começou a "atacar" alguns vilarejos na fronteira entre Oreand e Argarad. Curiosamente, as vilas não eram saqueadas ou queimadas. Apenas as tropas imperiais ou forças bárbaras eram mortas no processo. Com o tempo, as atividades do grupo foram para o oeste, onde eles atacaram Terak e conseguiram invadir Ozill, tomando a cidade por alguns meses e depois abandonando-a sem mais. Uma audaciosa carta chegou então às mãos do imperador Claudius II, uma carta escrita por um homem que dizia se chamar Kaleg e se auto-proclamava líder de uma rebelião contra a opressão do Império e dos magos. Na carta, Kaleg dizia:
"Os ventos de outrora se calaram. Raças caíram e civilizações desapareceram sob o aço da opressão. O mundo já não é como antes. Antes havia guerras, sim, havia sangue. Hoje, porém, há algo ainda pior: covardia, temor e omissão. Mas enquanto a voz dos magos clamar por correntes no oeste, a nossa voz bradará no norte, gritando aos quatro ventos que nós não nos ajoelharemos, nós lutaremos como nunca sob o estandarte da liberdade. E nós a conquistaremos, seja com sangue, magia ou aço"
A partir deste momento, o imperador soube o que estava enfrentando. Espiões e grupos de busca foram enviados a Oreand para descobrirem onde era a base rebelde, porém nunca obtiveram êxito. Tudo que se soube é que centenas ou talvez milhares de pessoas, estavam migrando para o norte a fim de se unirem aos rebeldes. Segundo diziam os rumores, bastaria perder-se na imensidão branca de Argarad e eles o encontrariam. O imperador tentou organizar um cerco à fronteira entre Oreand e Argarad para impedir a passagem de pessoas por ela nos dois sentidos, porém os bárbaros tornaram esta tarefa bastante difícil. Como última medida para impedir os agora denominados Rebeldes de continuarem ameaçando a soberania imperial, Claudius convocou uma reunião com seus principais líderes políticos para a execução de uma nova Marcha, desta vez rumo ao norte.
Ordem Arcana contra a Doutrina
Este é um conflito bastante particular da capital, mas que acaba se estendendo às cidades menores e até mesmo vilas. Como já foi citado, os sacerdotes da Doutrina acreditam piamente que o tipo de política adotada pelo Império, sob clara influência da Ordem Arcana, segue conceitos errôneos de regência social. Na prática, trata-se simplesmente de uma disputa entre duas doutrinas.
Por mais que os magos não assumam isso abertamente, há claros indícios de que a Ordem Arcana segue preceitos fundamentais do Caminho do Caos, que apregoa a divisão do mundo entre duas classes, uma dominante e outra dominada. Talvez o orgulho dos magos e de muitos políticos do império os guie para esse caminho de forma involuntária... ou talvez seja algo mais consciente. No fim, o grande problema que os sacerdotes precisam superar é o fardo de serem a religião mais famosa e presente em todos os reinos de Arkalon quando seus próprios governantes e superiores seguem um caminho totalmente oposto. Até o momento, esta desconfortável situação tem sido abafada e por vezes superada pelos doutrinados, porém fica bastante claro que isso está se aproximando de um limite extremo de diplomacia. Não se sabe até onde a flexibilidade da Doutrina e do Templo do Sol poderá chegar. Alguns acreditam que o atual Avel, Valard Menael, não se opõe abertamente ao imperador por medo de que as consequências possam ser rigososas. Em contrapartida, cada vez mais membros do conselho do Templo do Sol têm exigido uma tomada de postura por parte do Avel. Outro tema bastante polêmico diz respeito aos elementalistas. Não são poucos os sacerdotes que crêem que os elementalistas são manifestações do poder dos quatro deuses da Doutrina no mundo, porém os magos os marginalizam e perseguem sem piedade. Apesar disso ainda não ter se tornado causa de conflito aberto entre as duas organizações, acaba gerando antipatia entre elas.
Magos, Druidas e Elementalistas
Desde o início da Terceira Era essa realidade já era triste para os xamãs bárbaros e também para aqueles que por um capricho dos deuses nasciam com o dom de manipular os elementos. Assim como a ambição dos magos da Ordem os levou a colocar todo o Império contra as raças não-humanas, isso ocorreu muito antes com os druidas e elementalistas. A perseguição nunca teve um motivo real ou pelo menos justificável para acontecer. Os xamãs são guias de suas próprias comunidades ou, quando não, caminham como eremitas pelas florestas e bosques. Os elementalistas podem vir de qualquer lugar, desde de uma família de camponeses até do mais nobre sangue, mas ainda assim são igualmente vitimados pelo preconceito. Nenhum dos dois grupos possui uma ordem, uma organização ou mesmo já cometeu algum ato contra a soberania da Ordem Arcana, mas ainda assim a perseguição existe. A explicação mais racional para isso está relacionada com um mal bastante conhecido dos magos da Ordem: sua ambição. Acredita-se que eles capturam estes indivíduos para tentarem de alguma forma usurpar suas capacidades ou ao menos encontrar um modo de estudá-las. E enquanto isso não é obtido, eles sempre buscarão oprimi-los ao invés de entendê-los.
Bárbaros e Nobres
Não é novidade que os bárbaros sempre foram um incômodo para todos os habitantes mais "civilizados" do Império, nos últimos anos, porém, há ocorrido um estranho deslocamento de grupos bárbaros de Oreand para o norte de Lísea. Geralmente são grupos peregrinos, que não montam acampamento por muito tempo no mesmo lugar, mas têm causado problemas com tropas do Império pelas estradas e roubado alguns carregamentos das minas ocidentais. Isso tem gerado uma demanda dos burgueses por ações dos duques de Lísea, ações estas que ainda não ocorreram. Não se sabe o motivo dos bárbaros estarem avançando tanto para o sul, mas tudo que importa ao Império é que eles estão sendo incômodos e isso já basta como motivo para agir.
Conflitos Políticos
Arkalon é um continente dividido em cinco reinos, repleto de pessoas com os mais diferentes pensamentos e opiniões. Isso as divide no que se refere à política, formando partidos que disputam entre si para manter maior influência sobre a economia e o governo.
Libertários: eles querem que os reinos tenham independência, tanto da Ordem Arcana como do próprio Império. Segundo eles, seria mais produtivo que cada rei controlasse a distribuição de impostos para seu próprio povo e adminstrasse as leis de acordo com os costumes de cada um.
Filhos do Arcano: acreditam que a Ordem Arcana é a instituição mais digna de governar Arkalon devido ao domínio que possuem da magia e por sua inteligência amplamente conhecida. É claro que seus membros são, em sua grande maioria, praticantes ou simpatizantes das artes mágicas.
Imperialistas: defendem a permanência do Império no poder, mas pleiteam uma redução significativa da influência da Ordem Arcana. Segundo eles, os magos não têm autoridade ou condições para governar ou influenciar o continente politicamente. Os imperialistas são conhecidos por usar a história e a Catástrofe como armas contra a autoridade dos magos.
Unificadores: são aqueles que defendem o atual regime, onde o Império é a autoridade política e a Ordem Arcana é a autoridade sobre a magia. Os unificadores acreditam que havendo uma autoridade para cada um dos campos de poder, o governo se torna mais aberto, equilibrado e eficaz.