Um diário de guerra...
21.7.247 E.I.,
A angústia está a ponto de me consumir. Não suporto admitir, mas acredito que este será meu último relato como escriba desta campanha e me envergonho por me permitir registrar palavras tão pessoais ao invés dos registros comuns. Eu sabia que isso poderia acontecer, só não imaginei que seria tão rápido assim. Quando rumei para o norte para me unir aos rebeldes a minha mente ainda era de um menino. Achava que com uma espada nas mãos eu poderia mudar o mundo e derrubar a tirania dos magos, lutar por igualdade, justiça, liberdade. O tempo me mostrou que uma espada não é suficiente para mudar o mundo. Precisamos de dezenas de milhares delas, mas ainda assim estou orgulhoso do meu papel. Perdi muitos amigos valentes nos últimos dias. Não posso deixar que tudo isso seja por nada.
Kaleg me enviou juntamente com cerca de trinta soldados para o sul, para construirmos um posto avançado secreto para recrutamento. Percebemos que muitos, na tentativa de se unirem à causa, estão peregrinando desprevenidos pelo norte gelado. Uns poucos têm sorte e são encontrados antes de morrerem de frio ou fome, ou de serem devorados pelos lobos invernais. O povo está do nosso lado. Apesar de nos chamarem de "Rebeldes", eles vêem em nós uma luz de esperança num tempo de trevas densas.
Infelizmente nosso grupo foi descoberto por batedores e nosso capitão, Flavius, foi capturado. Apenas eu e mais sete conseguimos escapar com vida. No início pensamos em voltar para Argarad, mas precisamos resgatar Flavius. Ele tem os códigos que podem dar ao Império as condições de localizarem nosso acampamento principal. Nossos espiões disseram que um grande exército está saindo de Verelin para se unir às forças de Lísea e marcharem para o norte. Se eles souberem nossa localização será o fim da rebelião e estaremos pra sempre condenados a sofrer nas mãos dos malditos magos. Se não conseguirmos salvar Flavius, teremos ao menos que matá-lo antes que ele fale. É o nosso voto. Todos estamos ligados a ele.
Vamos investir contra o acampamento nesta mesma noite. Escrevo isso na tentativa de fazer com que nossa honra e comprometimento contra a opressão imperial seja conhecida. Os homens que vão comigo são: Ylder, um valoroso arcanista, Timir e Tarn, irmãos de sangue e de armas, Venn, sacerdotisa de Gorag, cujas preces são tão poderosas quanto sua maça, e Mircen Olho-de-Cobra, nosso habilidoso e fiel espião. Os outros dois de nós, Lubert e Yolau, estão sendo enviados de novo ao norte para comunicarem Kaleg sobre nossa empreitada. Eles levarão este diário com eles.
É bem possível que eu esteja morto quando estas palavras estiverem sendo lidas. Aproveito-as para fazer um último pedido, o desejo de um filho de Arkalon que caiu lutando pela liberdade e pela glória de seu lar. Eis o que desejo: deixei uma mulher formosa por dar à luz um filho meu. Ela está em Kallem, escondida na casa de um amigo e aliado chamado Berner. Peço aos meus irmãos de armas que enviem um batedor até a cidade e a levem para o norte. Quero que meu filho cresça lutando pela liberdade do seu lar e pela sua própria.
Tilmer Ardarion, escriba rebelde.
