Deuses e Religiões

 

Os deuses já tiveram seu tempo de glória neste mundo. Hoje, não mais. As histórias da Antiga Era os citam como sendo os detentores do equilíbrio de um universo incomensurável chamado Cosmos. Sua origem, segundo as lendas élficas mais antigas,  teria se dado através do autossacrifício de um deus maior conhecido apenas como Ageoth, o qual teria repartido sua própria essência existencial para manter o equilíbrio dos mundos criados por seu poder. Cada fragmento de sua essência teria assumido então uma personalidade própria e herdado parte de sua força, tornando-se uma divindade tal qual são conhecidas hoje. Tal fé foi grandemente propagada e vivida pelas raças dos tempos antigos. Hoje, porém, os deuses perderam grande parte de sua influência e autoridade.

As curtas gerações da raça humana dificultam a permanência de certas tradições em sua cultura. Sendo assim, os homens se afastaram dos deuses e os deuses se afastaram de Arkalon. Ainda há alguns clérigos e sacerdotes que conseguem o favor de seus senhores e podem canalizar seus poderes através de seus corpos, de suas armas ou de suas preces, mas mesmo estes têm se tornado mais raros a cada dia. Muitos julgam que a falta do governo divino sobre os homens é a causa de sua civilização estar em decadência e opressão, pois como se sabe, grande parte dos magos, apesar de crerem nos deuses, desprezam seu auxílio. Outros afirmam que, se os deuses retomarem seu poder antigo, o caos vai se apoderar do mundo. Entre crenças populares e boatos, o povo permanece clamando e realizando suas preces, mas sem jamais se comprometer verdadeiramente com as causas dos deuses por medo de que sua devoção os fortaleça e os dê poder suficiente para castigá-los pelos pecados do passado.

A natureza dos deuses

Todos os relatos históricos que citam o contato de mortais com entidades divinas os descrevem de diferentes formas. Registros de contatos com o mesmo deus chegam a descrevê-lo de quatro ou cinco maneiras distintas. Isso levou as religiões a assumirem que os deuses não possuem uma forma física definida. Eles são seres cuja essência existencial é puramente etérea. Muitos eruditos concordam que, se eles realmente possuem uma aparência original, ela seria como uma fonte de luz indefinida e disforme. Sendo assim, um deus pode apresentar-se a um mortal de formas tão extravagantes como comuns. Poderia ser uma criatura mitológica assim como um estranho viajante dos caminhos dos reinos.

As religiões e a devoção dos mortais

O que se propaga de geração a geração desde os tempos antigos é que os deuses conhecidos sempre estiveram divididos entre si, digladiando-se pela devoção dos mortais. A devoção é algo que fortalece um deus. Quanto mais venerado ele é, mais poder possui. Muitos creem que os próprios deuses não conheciam os efeitos que a adoração dos mortais poderia ter sobre seus poderes. Uma vez que isso foi descoberto, iniciou-se aquilo que se conhece como a Guerra Divina. Tal conflito pode ser resumido como uma disputa - às vezes pacífica, outras nem tanto - que cada deus trava com seus semelhantes para estar mais presente nas lembranças e nas preces dos homens, fortalecendo-se com elas. No passado, isso fez com que cada um deles criasse sua própria religião e pregasse sua doutrina particular. Alguns recompensavam seus seguidores pelos bons atos que praticavam, outros, por ações bárbaras e caóticas. Cada deus regia seus seguidores conforme sua própria natureza. Tal forma de culto, conhecida hoje como Religião Ancestral, perdurou até que a Era Imperial tivesse início. O fato é que os homens tinham predileção por algumas divindades e aversão a outras, comumente veneradas por outras raças. Com o domínio humano sobre o continente, houve uma revolução religiosa em cada reino, o que, no fim, fez surgir a Doutrina, uma religião intimamente ligada à fé humana, que abraçou alguns deuses e passou a pregar a intolerância contra outras formas de culto, assim como a outras divindades, principalmente aquelas consideradas malignas, que exigiam sacrifícios de sangue - muito mais poderosos que as preces ou oferendas comuns.

A Doutrina: venera os deuses Ehrevon, Eleana, Gorag e Morayne, os mais presentes na fé humana. É a maior religião do continente e possui uma enorme influência política em todos os reinos. Na teoria, seus ensinamentos fazem apologia a ações que sejam oriundas de valores como força, honra, justiça, superação e redenção, mas na prática boa parte da instituição está corrompida pelo poder. Os seguidores da Doutrina crêem que devem influenciar o fluxo dos acontecimentos de Arkalon para criar um bem maior, tanto para eles como para os reinos. Combater deuses malignos ou fés contrárias à sua é um exemplo disso. É claro que nem todos os seus fiéis assumem uma postura tão altruísta, mas em sua maioria costumam aderir a este conceito. A Doutrina possui diversos templos e capelas espalhados pelos reinos, através dos quais influencia não apenas sua política como sociedade. Cada reino particularmente possui um Alto Sacerdote, regentes locais que obedecem apenas à autoridade do Sumo Sacerdote, que se encontra em Aloderan, mais especificamente no Templo do Sol.

O Caminho Cinzento: também chamado de Doutrina de Allur ou Caminho do Equilíbrio, surgiu com base nas antigas religiões élficas. É composto por seis deuses que assumem uma postura neutra em relação aos mortais e à seus próprios semelhantes. Eles não têm prazer algum em influenciar o fluxo dos fatos que ocorrem em Arkalon e pregam que os mortais devem entender que a natureza segue um ciclo perfeito. Sendo assim, é preferível que ninguém tente alterá-lo ou desviá-lo segundo o seu próprio entendimento do bem ou o mal. A própria existência do bem e do mal são questionadas. Segundo seus ensinamentos, tudo é relativo e cada tipo de ação pode ser útil ao equilíbrio universal num determinado momento. Quando estes deuses erguem-se em defesa de alguma coisa, é somente em relação a seus próprios domínios. Seus seguidores pregam a neutralidade e a defesa do ciclo natural de todas as coisas. Seus deuses são  Aelyn, Arain, Cayla, Rakesh, Winedel e Morgorath.

O Caos: a última religião e também a mais infame é o Caminho do Caos, composta pelos deuses Ahrtus, Iwen, Derdrak e Zaranor. Assim como os deuses da Doutrina, eles também influenciam o mundo mortal de forma bastante ativa, mas sua fé prega o poder, o domínio e o controle. Os seguidores desta doutrina acreditam há uma divisão básica entre os habitantes deste mundo: os que dominam e os que são dominados, e não importa quanto custe, eles sempre procuram dominar. Para o Caos, a força e o poder são atributos mais valorizados que a compaixão ou o altruísmo, por exemplo. Os seguidores desta religião são comumente perseguidos em territórios controlados pela Doutrina ou, no mínimo, sofrem algum tipo de preconceito. Isso se dá porque sua fé possui uma grande influência da Religião Ancestral e, levando em consideração que ela é composta pelos deuses mais caóticos conhecidos, a fama acaba tornando-se respaldada. Devido a isso, cada vez menos seguidores desta religião a declaram abertamente, preferindo  realizar seus cultos em locais isolados ou secretos, ou até mesmo se passam por adeptos da Doutrina.

O Culto da Escama Negra

Drakius sempre foi mais uma lenda do que uma realidade no mundo mesmo durante a Antiga Era. O antigo deus do orgulho, segundo a tradição, está preso no plano de Yamar, guardado pela eternidade por Magok, para que jamais volte a tentar usurpar o poder de seus irmãos. No entanto, mesmo diante de seu desaparecimento, eventos isolados foram descobertos desde antes da migração de Rivara, os quais revelaram rituais de sangue e sacrifícios sendo feitos por grupos isolados, invocando o deus renegado, anunciando seu retorno ou mesmo o fim do mundo espelhado em nome de um Culto da Escama Negra. Nunca se soube exatamente o tamanho de tal seita ou o que pregam, mas sempre que se acreditou que estavam finalmente exterminados, outro representante surgia, noutra parte do continente, levando adiante a fé obscura.

Os Destinos das Almas Mortais

Talvez o ponto de maior convergência entre as religiões novas e a Ancestral é o que tange aos destinos das almas dos mortais, pelo menos até certo ponto. Ambas as tradições pregam que uma vez que alma de um mortal se desprende de seu corpo, ela torna-se parte de Aehl, passando a compor o equilíbrio do Cosmos e que, Aehl, segundo a necessidade deste equilíbrio, pode devolvê-la ao mundo físico através de outra casa - outro corpo. Quando a alma permanece com Aehl, no entanto, as opiniões variam e é partir daqui que as coisas divergem. A Doutrina afirma que há um plano etéreo chamado Kamlend para onde as almas vão e passam a viver como no mundo físico, porém com existências mais elevadas, mais próximas dos deuses. Os allurianos pregam que as almas convertidas a Aehl são devolvidas ao mundo e impregnadas na natureza para, através dela, darem vida e sustentação a todas as coisas. Por isso os allurianos são tão ligados à natureza, pois acreditam que ela está impregnada com as almas e, consequentemente, de vidas valiosas. Já o Caos prega que as almas indignas, fracas, são devoradas por Aehl para ampliar seu poder e que as almas poderosas obrigatoriamente retornam para o mundo físico, evoluindo a cada ciclo até que chegue o momento em que ela seja tão poderosa quanto um deus, tendo o poder de interromper o ciclo e se manter entre os aehlen como um igual.

Os deuses

 

Ehrevon: é o deus da justiça, representado pelo elemento do fogo, com o qual possui um forte vínculo. Também ostenta o poder de líder das quatro divindades da Doutrina e é representado geralmente pela figura de uma fênix, a ave de fogo lendária que revive de suas cinzas. Os sacerdotes intimamente devotos a Ehrevon prezam pelo fogo como um elemento completo, dotado de quatro funções: purificar, iluminar, aquecer e destruir.

Eleana: é a deusa das águas e dos oceanos. É uma divindade benevolente e sábia, que preza pela preservação da vida e principalmente pela conservação da pureza das criaturas. Apenas mulheres são aceitas como sacerdotisas da deusa, as quais mantém votos de castidade e uma vida contemplativa como representação da essência de Eleana. Os homens devotos à deusa são designados apenas como "acólitos" e exercem funções pertinentes à segurança e manutenção dos templos.

Gorag: este deus é conhecido por sua força e inclinação às batalhas. Gorag é o deus da terra, das rochas e das montanhas. As antigas lendas dizem que ele foi muito venerado pela raça anã e era conhecido por eles como Khar-Gorag. Este deus é muito famoso por valorizar a honra acima de tudo, principalmente em meio às batalhas, e por isso não é raro que guerreiros e cavaleiros se inclinem perante ele. Seus sacerdotes focam o treinamento bélico tanto quanto a efetuação de suas preces.

Morayne: é o deus dos ventos e das tormentas. É famoso por possuir um temperamento extremamente forte, mesmo sendo considerado bom. Dos quatro deuses da Doutrina, Morayne é considerado aquele com maior inclinação ao caos. Os sacerdotes de Morayne são conhecidos por suas frequentes oferendas e rituais que, segundo eles, visam apaziguar o senhor das tempestades.

Arain: o “senhor da magia” domina e governa a Mágicka que permeia o universo. É uma divindade intelectual e de grande poder, tido por muitos como altivo e orgulhoso devido ao seu pouco vínculo com os mortais. Seu governo sobre a magia é efetuado de forma totalmente neutra, mas é comumente difundido um rancor deste deus em relação aos homens, pelo extermínio covarde de sua raça-criatura, os elenden.

Ahrtus: o deus a noite e da escuridão é considerado uma entidade do caos. Ahrtus possui uma inimizade forte com Arain, pois ele foi o responsável pela corrupção de parte de raça do deus da magia quando criou os elenkori. Por isso seus sacerdotes desprezam a magia arcana.

Rakesh: é o deus do conhecimento e da sabedoria. Rakesh é tido como o deus mais inteligente que existe e é comumente venerado por estudiosos e magos como o "senhor da sabedoria". Seus sacerdotes são comumente pensadores, filósofos e cientistas devotados aos estudos de muitos temas enigmáticos aos mortais, tanto mundanos quanto divinos.

Zaranor: o “deus bárbaro”, é um deus-guerreiro que valoriza a força e a brutalidade como armas de superação de seus inimigos. É considerado pela cultura popular como o deus da guerra. Ao contrário de Gorag, que valoriza a honra, o que realmente importa para Zaranor e seus discípulos é estar de pé e contemplar os cadáveres de seus inimigos estendidos ao chão. Seu temperamento colérico e inclinação ao caos lhe deram a fama de maligno entre os povos adeptos da Doutrina., porém, nas sociedades bárbaras, ele é venerado como o deus da força.

Derdrak: o deus da corrupção sem dúvidas é o mais odiado e o mais caótico de todos os deuses conhecidos. Dizem que durante a Antiga Era, ele tinha por costume amaldiçoar diversas criaturas de diferentes tipos e raças, alterando-as tanto em aparência como em natureza. Este deus é considerado o pai de todos os monstros e aberrações que habitam as terras de Faingard. A malignidade e o caos estão abaixo da linha atingida por ele. Até mesmo Iwen, a deusa da morte-vivente, e Ahrtus não se podem comparar. Qualquer indivíduo que faça menção dos ensinamentos deste deus em público, numa sociedade neutra ou organizada, é imediatamente levado a um tribunal.

Iwen: a “dama da morte”, como é conhecida por seus sacerdotes, é uma divindade maligna, mas ativamente neutra em meio aos conflitos entre seus irmãos. Iwen é a deusa-mãe da antiga raça de mortos-vivos, que circulam por Faingard durante as noites geladas e dias nublados desde a Antiga Era e além. A maioria dos outros deuses, principalmente os da Doutrina, desprezam-na pelo seu campo de atuação, condenando-a por negar o descanso eterno a todos aqueles que ergue dos túmulos. Por mais paradoxal que isso possa parecer, seu maior inimigo sempre foi Morgorath, o deus da morte, cujos sacerdotes combatem seus agentes para promover uma passagem adequada às almas dos desafortunados vitimados pelo poder da deusa corrupta.

Cayla: é a “senhora dos bosques”, a “dama da flora”. Segundo as antigas lendas, foi ela quem vinculou sua existência à toda a flora faingardiana e passou a governá-la. Afirma-se que Cayla era muito venerada pela raça dos centauros e tornou-se deusa por adoção dos extintos elfos selvagens. Diz-se que é uma deusa bondosa e compassiva, inclinada a ajudar aqueles que preservam a natureza e o equilíbrio . A cultura popular afirma que ela costuma adotar alguns caçadores como seus sacerdotes e que passa a maior parte do tempo em terras arkalonianas, agindo sob a aparência de um animal para vigiar os bosques e florestas.

Aelyn: é a governante e protetora de todos os animais que habitam as terras e os mares. É tida como uma deusa neutra em relação aos conflitos divinos, mas não admite que seus domínios sejam invadidos por ele. As antigas lendas afirmam que ela governa sobre alguns guardiões poderosos, instituídos por sua vontade para defenderem seus filhos.  Os responsáveis por zelar pelas criaturas que caminham sobre a superfície seca de Faingard são os chamados arahawks, lobos gigantes cuja natureza está intimamente vinculada ao poder da deusa. Outro guardião é o lendário Kraken, um monstro marinho milenar de tamanho colossal, temido pelos próprios deuses, de cujas garras jamais alguém escapou. Ele é responsável pela guarda de todas as criaturas marinhas. As lendas dizem que Kraken habita as maiores profundezas dos mares e só vem à superfície quando convocado por sua deusa-mãe. Sua última aparição, no entanto, deu-se a milhares de anos, o que tornou seu nome uma lenda nos dias de hoje.

Winedel: é um deus excêntrico, muito venerado por foras-da-lei e por indivíduos que vivem à margem da sociedade. Ele é famoso por divertir-se com ações ousadas e inconsequentes dos mortais, chegando a protegê-los em algumas circunstâncias de alto risco. Ao mesmo tempo que é tratado como um deus neutro, suas ações tendem a ser rebeldes e caóticas. Em questões de domínio, é considerado o deus guardião de todos os aventureiros, mas popularmente como o deus da sorte.

Morgorath: é o deus da morte. Diferente de Iwen, que domina a morte-vivente, este deus é absolutamente neutro e domina a passagem de todas as criaturas entre suas vidas mundanas e no além. O papel de Morgorath é conduzir as almas até o berço de Aehl, para que elas recebam seu destino. Por isso seus sacerdotes se devotam ao combate de toda arte, seja ela mágina ou não, que vise impedir uma passagem plena de um morto entre os mundos mortal e divino. Eles também se dedicam ao enterro digno dos corpos daqueles que já partiram, sendo comumente vistos como zeladores de cemitérios ou realizando cerimônias fúnebres e outras funções deste cunho.

Drakius: a cultura popular diz que Drakius era o mais poderoso dos deuses. Sabe-se muito pouco acerca dos domínios deste deus e de suas reais intenções. Diz-se que ele foi o criador da raça dos dragões, mas que foi deposto e exilado quando tentou trair e exercer domínio completo sobre seus irmãos. Acredita-se que Drakius está preso no plano de Yamar e que já não apresenta um risco aos deuses ou aos mortais.