Os Aehlen
Com o passar do tempo _ e este período é totalmente desconhecido pelos próprios deuses _, Ageoth conseguiu controlar Aehl, torná-la ainda mais parte de si, transformá-la em sua maior ferramenta de poder. Aehl transformava a vontade de Ageoth em realidade e aos poucos, o Ser Supremo moldava a imensidão do Cosmos conforme seus desígnios. E diz-se que as primeiras obras do Ser Supremo foram os Nove Planos: mundos distintos, mas interligados entre si. Oito deles ao redor de um central, o mais importante, apesar de tão vazio e disforme quanto todos os outros. Ageoth chamou este mundo de Faingard e ele seria um espelho reflexo de seus oito irmãos. Em seu interior, ele desejou que aquele mundo se tornasse o ponto de equilíbrio entre todos os outros. Sua formação não seria concluída apenas pela vontade do Ser Supremo, mas pela junção de todas as suas vontades, todos os seus sentimentos e ânimos, fossem eles de alegria ou tristeza, felicidade ou dor, ímpeto ou temor. Ageoth era um ser complexo em si mesmo. Trazia em si sentimentos e inclinações que o tornavam tão rico em poder quanto em essência, e ele tinha medo de não poder trazer equilíbrio à tudo que planejara, medo de que sua criação fosse preenchida por sua piedade ou por sua ira. Mas como tornar tudo equilibrado sem que sua própria vontade interferisse? Por um tempo incontável esta dúvida permeou a mente de Ageoth, adiando a conclusão de sua obra. Foi quando o Ser Supremo, após muito meditar, chegou à conclusão de que era impossível que um mesmo indivíduo pudesse ser tão imparcial. Se era equilíbrio ou mesmo justiça o que desejava em sua obra, era necessário que cada parte dele, cada sentimento ou teor de sua existência tivesse chances igualitárias de influenciá-la. Foi quando Ageoth cometeu seu autosacrifício, dividindo sua própria essência existencial em diversas partes distintas. O Únido Ser deixou de existir, dando vida a diversos outros. Cada uma dessas partes despertou para si mesma, tomou consciência própria e herdou de seu pai parte de seu poder, assim como parte de sua personalidade. Seu senso de justiça revelou-se na natureza de Ehrevon, sua pureza trasnfigurou-se em Eleana; a coragem tornou-se Gorag assim como seu ímpeto foi absorvido por Morayne. Seu equilíbrio converteu-se em Arain, sua imparcialidade em Morgorath, sua sabedoria e conhecimento foram herdados por Rakesh, e seu senso de proteção e preservação foi igualmente dividido entre Cayla e Aelyn. Mas o Ser Supremo não era dotado apenas de sentimentos puros, neutros ou bons. Sua ganância encontrou lugar em Ahrtus, seu medo tornou-se Iwen, sua loucura converteu-se em Derdrak, sua ira em Zaranor, sua inconsequência em Winedel e, por fim, seu orgulho gerou o mais poderoso dentre todos os seus irmãos: Drakius. E assim, pela vontade de Ageoth, nasceram os deuses, que então conheciam a si mesmos como Aehlen ou Filhos de Aehl. Eles assumiram formas diversas e visitaram os planos criados por seu pai, conhecendo o poder de Aehl e conhecendo a si mesmos.
